Gestão de Eventos - Centro Paulo Freire, VIII Colóquio Internacional Paulo Freire

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DO DIÁLOGO SOCRÁTICO AO DIÁLOGO CRÍTICO: REFLEXÃO E AÇÃO COMO ATITUDE DE CONSCIENTIZAÇÃO
Andre Luis Castro de Freitas, Luciane Albernaz de Araujo Freitas

Última alteração: 13-08-2013

Resumo


Considerando a sociedade contemporânea, constata-se, na educação, a dificuldade de engendrar novas formas de relações, de modo especial no que tange ao desenvolvimento de atividades teóricas e práticas no espaço tempo da sala de aula. Preliminarmente, apoiando à afirmativa compreende-se como indício às modificações, que se estabelecem em curso, nas relações professor-estudante, observando o quadro da sala de aula, quando se parte da ideia de que a informação torna-se, acentuadamente, disponível a um número cada vez maior de pessoas. Percebe-se que esse indício suscita para radicais transformações na construção do diálogo no mundo da educação e, mais especificamente, na escola. A obra freiriana aponta para a problematização dessa proposição, na tentativa de encontrar limites e definições que permitam alternativas de tornar os espaços do ensinar e do aprender para além de uma proposta conteudista. As referências à reflexão em Paulo Freire propõem a educação a serviço da transformação, não, portanto, da redenção ou da reprodução. Nesse sentido, a educação problematizadora é a humanização em pro­cesso, conquistada pela práxis, a qual implica a reflexão e a ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo. Ao contrário da educação bancária, a educação problematizadora responde a essência do ser, da consciência, de sua intencionalidade, quando essa consciência além de intencionar o objeto volta-se para si mesma. O presente texto possui por objetivo (re) descobrir categorias freirianas analisando práticas educativas que exercitam o movimento entre reflexão e ação como atitude de conscientização. A partir de um estudo descritivo crítico, tomando por base à filosofia da consciência, intenciona-se desvelar nesses movimentos subsídios que venham a promover a constituição de um sujeito autônomo. Problematiza-se no texto a necessidade de refletir sobre uma perspectiva pedagógica que aponte para o movimento não apenas para acolher o sujeito diferente, mas com ele organizar encontros de diferentes em busca de uma unidade mínima para atuar a transformação. Compreende-se que a ancoragem dessa relação educativa está na construção do percurso cognoscitivo próprio de cada estudante. A partir dessa ideia propõe-se o conceito de situação gnosiológica a qual tem como premissa que o professor, aberto ao aprendizado e à realidade de seus estudantes, compreenda que cada estudante deve percorrer seu caminho, exercitando, ao mesmo tempo, um processo de revisão do saber. Supondo esse tipo de relação percebe-se possível ao professor problematizar as atividades a serem desenvolvidas, inserindo o estudante nesse movimento de incertezas.  Reflexão e ação representam o ponto instigador da aprendizagem, pois a dúvida é posta pelo questionamento elaborado abrindo caminho para a interação entre os sujeitos envolvidos. A partir desses pressupostos pretende-se problematizar o diálogo freiriano para além de considerá-lo como motivador da aprendizagem, mas como processo de tomada de consciência articulado a educação, inserido como proposta de ação sobre a realidade constituída. O estudo dos diálogos: socrático e crítico freirianos, apresenta por objetivo o exercício do preparar o Outro, no sentido de despertar no sujeito processos de transformação que o permitam experienciar atividades de sua existência, tomando como base o movimento. Não se pretende nesse trabalho propor conclusões, mas refletir em uma aproximação preliminar sobre os diálogos freirianos, elencando o inacabamento e o, próprio, diálogo como articuladores do operar a consciência, por meio de uma conquista permanente da autonomia. Por fim, compreende-se a aproximação do estudo proposto ao tema do VIII Colóquio: educação como prática de liberdade: saberes, vivências e (re) leituras em Paulo Freire, quando se elabora a discussão sobre inacabamento e diálogo, elencando a importância do Outro, no intuito de conquista e exercício da autonomia, como atitude de conscientização e prática de liberdade.


Palavras-chave


Diálogo socrático. Diálogo crítico. Inacabamento. Autonomia. Conscientização.

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